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domingo, 8 de agosto de 2010

No dia dos pais, só tenho saudade...

Fiz uma canção para dar-te;
porém tu já estavas morrendo.
A Morte é um poderoso vento,
E é um suspiro tão tímido, a Arte...

É um suspiro tímido e breve
como o da respiração diária.
Choro de pomba. E a Morte é uma águia
cujo grito ninguém descreve.

Vim cantar-te a canção do mundo,
mas estás de ouvidos fechados
para os meus lábios inexatos,
- atento a um canto mais profundo.

E estou como alguém que chegasse
ao centro do mar, comparando
aquele universo de pranto
com a lágrima de sua face.

E agora fecho grandes portas
sobre a canção que chegou tarde, -
- E sofro sem saber de que Arte
se ocupam as pessoas mortas.

Por isso é tão desesperada
a pequena, humana cantiga,
Talvez dure mais do que a vida,
Mas à Morte não diz mais nada.

("Canção póstuma", Cecília Meireles)

Dois meses que ele se foi. Dói muito saber que à cada volta pra casa, uma cadeira suspira vazia no almoco.

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